quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Resenha: NEKRomantik


            O Café com Tripas, apesar de não ser um blog muito romântico, vez ou outra traz filmes que falam sobre amor – Boxing Helena, Grotesque, Papaco –, e, mesmo não sendo os filmes ideais pra você assistir com aquele broto que você ta chavecando, são filmes que mostram outro lado (não tão bonito) do amor.
Com isso, hoje o Café volta a falar desse sentimento tão bonito; e para mostrar que somos um blog moderninho, que não temos preconceito e somos a favor do amor em qualquer situação, seja hetero, homo, bi, cabras, mão, arvores, objetos... Por que não falar dos necrófilos, que são tão discriminados e incompreendidos?
Hey, amigo, da uma limpadinha no canto da boca, tem um verme.







Título original: NEKRomantik
Lançamento: 1987 (Alemanha)
Duração: 68 minutos
Direção: Jörg Buttgereit




NEKRomantik
Um amor diferente


Antes de começar a resenha acho bom falar que “NEKRomantik” é um filme bem estranho e quase nada (ou nada) nele é explicado, portanto, a resenha é feita através da nossa interpretação do filme. Li várias resenhas e vi visões bem diferentes sobre o filme; algumas delas, para falar a verdade eu não compreendi muito bem. Então se você assistiu ao filme e pensa de outra forma deixe seu comentário e debateremos sobre.
Agora chega de blábláblá, nos queremos NECROFILIA...


Amor estranho amor 


            Robert é um faxineiro de áreas criminais que, compartilha com sua namorada, o estranho costume de colecionar pedaços de cadáveres e utiliza-los. Certo dia, quando estava encarregado de levar um cadáver encontrado para o necrotério, ele decide levar para casa e utiliza-lo como objeto sexual para “dar um up” no relacionamento com sua namorada. Algo que não dá muito certo...


Amor, sexo e mortos


O filme começa com Robert e seus colegas de trabalho removendo os corpos de um acidente que ocorreu na noite anterior. Nisso, é interessante notar apesar dos personagens trabalharem com a remoção de corpos - muitos deles deformados, como o de uma mulher que está dividido ao meio -, fazem isso sem luvas e sem máscaras. Afinal, luvas são para os frescos; profissional que é profissional pega as Tripas com as mãos nuas.

Nessa cena já notamos que Rob tem algum probl... Digo... Alguma mania exótica, pois ele rouba o olho de um defunto que posteriormente será colocado em sua coleção de pedaços humanos (coração, mãos, fetos, olhos...) que ele cuida junto à namorada.

- Velho, como tem gente que pode colecionar restos humanos? Esse cara deve ser doente, só pode.

Sim amigo, ele é doente, doente de amor.


Ui, que meda!



O filme, apesar de não explicar, deu a entender (pelo menos pra mim) que a obsessão de Rob por coisas mortas se deu através de um antigo (ou até mesmo atual) medo.
Enquanto sua namorada banha-se em uma agua ensanguentada, ele assiste a um programa que fala sobre fobias. Nele, um especialista fala que, em alguns casos, após o paciente ter o contato direto com o objeto do seu medo ele passa a ter uma relação próxima com o mesmo. Logo após isso, vemos Rob “sonhando” com um coelho sendo morto e tendo sua pele retirada, como se ele mesmo tivesse perdendo algo. Em outra cena o vemos num laboratório abrindo um cadáver, como um legista.
Sendo assim, podemos pensar que a obsessão do personagem por coisas mortas tenha ocorrido como uma reação de sua fobia, ou talvez, como uma forma de tentar resolver um problema que ainda enfrenta. No início do filme um dos seus colegas de trabalho reclama para o dono da empresa que Rob fica nervoso nas cenas, então, apesar de tudo, pode ser que ele ainda retenha certo medo cadáveres e sua coleção seja uma forma de amenizar isso. O pensamento seria o seguinte: se eu tiver contato com isso todo dia, talvez o medo passe, e eu tenha uma relação ainda melhor com aquilo que amo: minha namorada.


É o amooorrr, que mexeee com minha cabeça e me deixa assimmm....

            O personagem está dividido em duas situações distintas, uma na qual ele tem que enfrentar os problemas do trabalho e da vida adulta e, também, em casa onde tenta satisfazer sua namorada com fetiches não muito convencionais... Pelo que eu saiba, pelo menos; pois não sei se você que está lendo essa resenha curte uma relação mais fria, se é que me entende.
            A questão é que certo dia Rob decide levar um cadáver pra casa e assim poder fazer um “ménage a trois”. Essa está entre as cenas mais bizarras que já vi no cinema: Rob chega com o cadáver embalado em um saco - a cena é como se fosse um daqueles filmes americanos no qual o marido chega com um presente pra mulher, sua namorada fica toda feliz e logo coloca o cadáver na cama e eles fazem um “pipi” pro morto com uma pedaço de madeira, e colocam camisinha.
(Viram, amiguinhos? Mesmo quando for “tchaca tchaca” com um morto, lembre-se de usar camisinha, ou você quer zumbizinhos correndo pela casa?)
            Achou isso bizarro? Você não viu nada. A cena é muito nojenta (desculpem-me, necrófilos, respeito o gosto d’ocêis, mas isso não é pra mim não, sou um homem de deus). A moça é penetrada pelo “pipi” recém construído do morto, lambe seu rosto esquelético melado (deve ser pele derretida ou coisas do tipo); existe até mesmo  um momento que Rob pega o olho do morto com a boca e começa a chupa-lo...
Bom, melhor parar por ai antes que vocês gorfem... Ou gozem.
            Enfim, a questão é que nessa putaria cena toda, o Rob parece ficar meio de fora. Ele está participando e aproveitando, mas sua namorada parece estar muito mais interessada no novo amiguinho do que no nosso pobre protagonista.


Até que o morto nos separe


            Li algumas resenhas e não vi nada a respeito, mas minha interpretação do filme é que Rob não é, diretamente, um necrófilo, mas sim sua namorada que o usava como um meio de conseguir coisas macabras para o seu fetichismo. Tanto é assim que logo que Rob é despedido, ela briga com ele e fala: “E agora, como conseguiremos outro cadáver? Quanto tempo acha que este vai durar?”. Em seguida ela vai embora, levando o morto com ela.

            Portanto, creio eu, que Rob não seja um apreciador de mortos, mas passou a adotar esse costume para agradar a namorada. Talvez cadáver seja um pouco demais, porém quantas vezes não vemos (e fazemos) coisas do tipo só para agradar a namorada (o). Quem nunca passou a fazer certas coisas que não gostava, ou não fazia, só pra agradar alguém que atire o primeiro crânio!

            Ou seja, sua namorada era uma oportunista que utilizava do amor e do trabalho de Robert pra satisfazer seu fetichismo, e tão logo ele deixou de fornecer aquilo que ela demandava, ela o abandonou.
 
            “O quê vive que não vive da morte de outros?”


            A dor de ser abandonado por alguém que ama leva Robert a entrar em um caminho autodestrutivo e passar a adotar comportamentos que refletem os mesmos de sua ex, como tomar banho com sangue, “brincar” com coisas mortas, enfim, coisas que só víamos o personagem fazer quando estava junto a ela, nunca sozinho. Sendo assim a necrofilia de Rob deixa de ser algo para agradar e passa a ser algo para reviver os momentos que teve no passado com seu affair.
            Apesar de não trabalhar mais com mortos, a morte passa a estar mais interiorizada em seu ser do que antes. Ao ser abandonado Robert tenta fazer de tudo para que possa sentir prazer de novo e, não tendo sucesso, decide levar uma prostituta para transar no cemitério, pois esta é uma de estar próximo à morte e, ao mesmo tempo, reviver a experiência do sexo com uma mulher. Entretanto, seu amiguinho não acorda, e em um ataque de raiva ele mata a moça ao ser zoado por ela, conseguindo, finalmente, uma ereção... Ah, claro, ele não desperdiça a oportunidade.
            Assim, no final do filme (que não direi o que acontece, mas posso adiantar que é uma cena que provavelmente não vai sair da sua cabeça tão cedo) ocorre uma forma de redenção do personagem. Da mesma forma que o coelho perde a pele no início representando a perda de sua identidade uma vez que vivia, de certa forma, para a satisfação da namorada, no final a cena do coelho corre ao contrario, como se ele estivesse retomando sua pele, retomando sua identidade e, consequentemente, sendo responsável pelo seu próprio prazer.


Aquela(e) cadáver é tão jeitosinha(o), devo traça-la(o)?



“NEKRomantik” é um filme de difícil digestão até mesmo pra quem gosta de cinema trash e bizarrices. Não digo que é um filme ruim; ele tem suas qualidades, mas não é um do tipo que eu recomendaria os outros assistirem. O ménage a trois é algo tão bizarro que não tenho interesse nenhum em ver novamente, pelo menos não tão cedo. Lembrando um pouco o “Cannibal Holocaust”, a cena do coelho também é bastante pesada pra quem não gosta (se é que tem alguém que gosta) de ver animais morrendo.
A falta de recursos é percebida no filme. A fotografia é precária em boa parte dele. Há cenas escuras e frequentemente mal filmadas, entretanto, vez ou outra alguma se destaca; como a do ménage, que mesmo terrível, tem suas qualidades. Até pareceria um pornô de verdade... Se não tivesse um morto no meio.
A trilha sonora é interessantíssima; ela serve como contraste pras cenas: enquanto vemos sexo, cadáveres e nojeiras, ela é calma, alegre e romântica; já em outros momentos, consegue refletir o sentimento do personagem, como na morte do gato.
Então, queridos malditos leitores desse bloguinho sem vergonha, a não ser que você seja um necrófilo e adore uma safadeza gelada, o Café com Tripas, lava as mãos e não recomenda nem “disrecomenda” este filminho simpático, a crítica dele está ai; cabe a você decidir entrar, ou não, nesse mundo de cadáveres, chupação de olho, pirocas de madeira e muita necrofilia.

 Trailer:

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