quinta-feira, 14 de junho de 2012

Resenha: Bad biology


Semana do dia dos namorados e o Café não poderia deixar de trazer uma resenha bem romântica para celebrar essa data tão especial para os urubuzinhos pombinhos apaixonados. Hoje falaremos um pouco sobre a história de um casal bem singular, Jennifer e Batz. Ela nasceu com sete ou mais clitóris e ele desenvolveu um pênis mutante que tem vida própria. Ahhhhh, o amor...


  

Título original: Bad biology
Lançamento: EUA (2008)
Duração: 85 minutos
Direção: 
Frank Henenlotter





Bad Biology
Amor, estranho amor


Jennifer é uma fotografa pornô, que fora do trabalho tira (e coleciona) fotos dos homens com quem transa. Porém, geralmente durante o ato seus parceiros acabam mortos devido ao frenesi em que entra durante o orgasmo, dada sua vagina particularíssima. Além disso, sua gestação ao invés de nove meses, dura apenas 2 horas, dando origem a pequenas “abominações inacabadas”.
Já Batz está tendo pequenos problemas com seu pênis mutante, que ele modificou com ajuda de drogas e que agora esta com um tamanho anormal e fora do seu próprio controle.
Quando os amantes se encontram, está prestes as nascer uma bizarra linda história de amor.

Í, meu pipi fugiu.

“Vocês não sabem como é bom aqui dentro. Este buraco é bom demais. Vocês não sabem como é bom aqui dentro. Eu amo este entra e sai”
(Hino do pinto, Velhas Virgens)

            Se você leu a sinopse de “Bad Biology” deve estar no mínimo curioso pra assistir esse filme, cheio de drogas, genitálias mutantes, fotos de pessoas mortas, mulher com mascaras de vaginas, etc. Apesar de ter partes em que é possível fazer algumas análises mais sérias, o filme nunca perde seu ar de bizarro e sarcástico.
            Entretanto, a bizarrice acaba ficando muito mais na história e diálogos do que nas cenas em si. Tenham calma, amiguinhos fãs do grotesco e incomum, claro que temos cenas um tanto quanto exóticas, como Batz brigando com seu grande membro, a sessão de fotografias, entre outras. Porém, nada para chocar ou causar repulsa (a não ser que você seja um tanto quanto puritano e se ofenda com pirocas e xoxotas falsas).
            As histórias de Batz e Jennifer acabam sendo desenvolvidas separadamente, onde tenta apresentar uma pequena história para contextualizar a situação de cada um, e só perto do fim que elas acabam se cruzando definitivamente.
            Mesmo não tendo tantas bizarrices visuais quanto alguns filmes do gênero, é um prato cheio pra qualquer fã de tosqueiras, principalmente o final do filme que, Obviamente, não contarei aqui justamente pra vocês irem atrás do mesmo.

Liberando a xota

“O termo ninfomaníaca foi inventado por homens temendo a liberdade sexual das mulheres. Os homens mostram suas realizações enquanto mulheres são tratadas como putas.”
(Jennifer)

            Todo dia vemos pessoas dizendo que o preconceito está acabando, que mulheres e homens são tratados da mesma maneira, que todos são livres pra fazer aquilo que bem entenderem e coisas parecidas. Contudo, sabemos que isso não é verdade; algumas coisas melhoraram, mas ainda vivemos em um mundo machista, cheio de julgamentos e que as mulheres ainda reprimidas se demonstram seu desejo sexual.
- Véi, isso é um filme trash sobre uma mina com sete clitóris. como assim vamos falar de machismo e liberdade sexual feminina?
O filme inicia com Jennifer falando sobre sua anomalia e sobre seu apetite sexual, ela diz que possui uma besta dentro dela e que precisa de homens para satisfazer sua fome, pensando por esse lado, não temos todos a besta dentro de nos? Quantos de nós homens já não saímos, e fomos estimulados a sair, a procura de uma trepada fácil justamente para saciar nosso apetite sexual? Porém, quando uma mulher pensa assim, ela é bombardeada de julgamentos onde a reprimem por ter vontades que não sigam o padrão cristão de nossa querida sociedade.
Em uma cena logo no inicio do filme, Jennifer está fotografando um mecânico com uma mulher com os seios de fora, para alguma revista masculina ou algo do tipo. A mulher fica insinuando-se para o cara, lambendo a ferramenta, fazendo caras e bocas sensuais etc. Jennifer para conseguir fotos melhores acaba apertando no “instrumento” do homem, no entanto, isso faz com que ele fique indignado e comece a dar uma lição de moral, chamando-a de vadia, dizendo que os valores morais acabaram devido a mulheres como ela. Agora vos pergunto amiguinho: o que são esses tais valores morais? O cara estava tirando fotos com uma mulher nua e estava se achando o paquitão, fazendo pose de “pegador desapegado”, mas só foi uma outra mulher passar a mão nas suas bolas que o jogo virou.  Posso me exibir com mulheres peladas e posso ter tesão, mas se uma mulher tomar a atitude antes de mim, ela é uma vagabunda que acaba com os valores morais desse país. Onde está a lógica?
Ao mesmo tempo a sociedade impõe normas sociais que a mulher deve seguir para ser “digna” ela também estimula a imagem da mulher como objeto sexual, essa dualidade se dá em um momento do filme onde Jennifer está fotografando mulheres nuas com mascaras de vagina (sim, isso mesmo) e uma das envolvidas começa a falar que aquilo é nojento e imoral, Jennifer vira e diz: “Não é a sua definição de moralidade. Está é a verdade brutal de ser uma mulher, ser um ser humano sexual”.
Todos somos seres sexuais, o problema que uns são reprimidos e outros estimulados...

Mamãe, mamãe pra que serve minha florzinha?
Só pra fazer xixi querida...

Meus pais e médicos me convenceram que meu sexo era tão nojento que nenhum menino ia me querer.
(Jennifer)

Acho que você não precisa ter sete clitóris para isso acontecer: a sexualidade feminina é reprimida desde criança. “Mocinha não senta de perna aberta, mocinha não usa vestido curto, mocinha isso, mocinha aquilo...”, uma educação totalmente contraria a aquela dada para os meninos. Se o rapaz abaixa a calça e fica rodando o bingulinho, todos acham graça e fazem piadinhas, se a menina abaixa as calças, a mãe logo levanta e sai correndo pra cobrir.
Ao crescer a garota continua sendo alvo de diversas regras e informações; aprende que não pode sair com muitos garotos se não ela vai ser puta, que o sonho dela tem que ser casar e ter filhos, que têm que esperar o garoto ir atrás dela porque é feio tomar atitudes etc.
Enfim, esse punhado de normas sociais pra garotas acabam fortalecendo o machismo. Não apenas os homens, mas as próprias mulheres acabam se reprimindo, mesmo sem perceber.

Te amo... Pegadinha do malandro, ié ié

“Gatinha, essa má formação não me incomoda. Não deixe isso ficar entre nós. O que temos é especial, eu quero passar minha vida com você... SAIA DAQUI, VOCÊ É UM TIPO DE MONSTRO!”
(Ryan)

Em um flashback, Jennifer conta que certa vez se apaixonou de verdade e acreditou que poderia viver com alguém que não ligasse para sua “deformidade”, mas estava errada, mesmo diante de tantas promessas Ryan largou-a quando se deparou pela primeira vez com sua vagina mutante.
Quantas vezes não vimos situações como essa (não com vaginas mutantes, lógico), em que o casal se demonstra cheio de amor pra cá e pra lá, mas na primeira dificuldade vemos que não existia nenhum amor (ou existia só num lado), apenas uma troca de interesses. O amor está cada vez mais frágil e cada vez mais raro. Zygmunt Bauman no livro “Amor líquido” compara o amor com a bolsa de valores, em que todo dia as pessoas analisam se o relacionamento está dando frutos ou apenas prejuízo. Se estiver em alta, as pessoas estão bem, mas se estiver em queda...
Entretanto, podemos tirar do filme que, por mais que hoje em dia, o amor seja definido como troca de interesses, ele ainda existe em alguns lugares, mas acaba morrendo depois de tantas palavras vazias. É o que houve com Jennifer quando começou a acreditar no amor: acabou sendo humilhada, perdendo a esperança, fazendo aquilo que fizeram com ela com os outros.

Tamanho não é documento...

“Sai, sai pica mole. Sai, sai seu pica mole. Além do peru pequeno, e aí? Ele não sobe?”
 (Gaiola das Popozudas)


            Falamos muito sobre Jennifer, mas... E Batz?
A história de Batz é triste, quando ele nasceu teve um pequeno grande problema. Quando os médicos foram cortar o cordão umbilical acabaram cortando também... Sim, isso mesmo. Os médicos até costuraram de volta, mas seu brinquedo nunca foi o mesmo, a pipa não subia. Imagina ele nos seus 14 anos, todos seus amigos falando de masturbação, mulheres e ele... Nada. Isso causou também problemas em seus relacionamentos futuramente.
Tal particularidade fez com que ele começasse a injetar esteroides , o que resolveu o problema da pica mole, mas gerou outros problemas: ela cresceu de maneira descomunal e começou a criar consciência própria. Isso fez com que ele precisasse de remédios não para endurecer, mas sim para acalmar se amigo.
Pelo que podemos entender no filme, Batz tinha uma namorada que sabia de seu problema e que estava disposta a ajudá-lo (ao contrario de Ryan em relação à Jennifer), porém, para Batz aquilo era motivo de vergonha, de modo que ele acabou se isolando e tentando resolver o problema sozinho, o que o levou a ter uma piroca mutante.
Se por um lado a sociedade reprime a mulher sexualmente, por outro ela estimula excessivamente a sexualidade masculina. A todo lugar que olhamos vemos mulheres gostosonas em roupas sensuais. Para alguém ser considerado homem precisa pegar todas as menininhas da cidade, sendo que ter pau grande é sinônimo de orgulho etc. No filme, podemos ver que Batz poderia ter uma vida normal, mesmo com os problemas, entretanto, ele se sentia reprimido socialmente por ter esse defeito, quantas vezes não vemos pessoas normais, que poderiam ter uma vida normal, fazendo merda por motivos estéticos impostos culturalmente?

Genitálias mutantes

 “Deus criou e projetou o meu corpo com um propósito: ele quer me comer.”
(JENNIFER)


“Bad Biology” consegue ter um roteiro que se destaca mesmo entre os filmes trash. Quando você pensaria em ver um filme de uma mulher com sete clitóris que coleciona foto de mortos, e um cara com um pênis modificado com drogas pra animais que acabou criando consciência própria?
Em se tratando de questões técnicas, a película não tem nada demais. Fotografia e trilha não são boas, mas também não tão ruins - estão até acima do padrão pra filmes trashs. Já os atores seguem mais ou menos a mesma linha: não são bons, mas convencem (mentira, eles são ruins, mas você se diverte o suficiente pra ignorar esse fato).
O filme garante uma ótima dose de bizarrices e boas risadas. Se você for como nós do Café, que gostamos de estripar os filmes para tirar todo tipo de informações dele, também vai curtir; temos diversos temas para serem analisados.

Posso assistir de conchinha com minha gata/meu gato?


            Claro amiguinhos, mas antes recomendo que tenham certeza que ela (e) tenha senso de humor e curta dar umas boas risadas. Se você tá solteiro e quer impressionar uma gatinha (o), também recomendo levar pra assistir “Bad Biology” no primeiro encontro, garanto que esse dia nunca vai ser esquecido, mas provavelmente vai continuar solteiro por um bom tempo. Deixando as brincadeiras de lado, o filme é super divertido e não possui nenhuma cena muito hardcore, o que não significa que você vai assistir com a vovó. Ele pode ser visto tanto para passar o tempo quanto para tentar extrair algumas discussões que o filme abre. Se você está cansado dos Romeus e Julietas da vida, venha para o mundo de Jennifer e Batz...

Trailer:


2 comentários:

  1. Esse é um daqueles filmes que eu tenho a obrigação de ver. Afinal, como um filme com uma mulher com sete clitóris e um cara com um pinto gigante e consciente e que ainda bota uma discussão relativamente profunda e muito interessante sobre a sexualidade, pode ser um filme ruim?

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  2. hahahaha, ele é muito bom, não perca!

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