quinta-feira, 1 de março de 2012

Resenha: Encaixotando Helena (Boxing Helena)


Ahhhh... O amor, não existe nada mais lindo. Quem não adora escutar um eu te amo, passar o dia abraçadinho com aquela pessoa que você tanto gosta? O problema é que nem sempre esse amor é correspondido, portanto muitas vezes as pessoas precisam se esforçar para conquistar umas as outras, e para isso compram presentes, levam pra jantar, fazem canções, serenatas e etc. Mas temos que concordar: não existe nada mais romantico (e eficaz) do que amputar todos os membros da mulher amada para que ela seja totalmente dependente de voce...



 


Título original: Boxing Helena
Lançamento: 1993 (EUA)
Duração: 107 minutos
Direção: Jennifer C. Lynch





Encaixotando Helena
Uma história de amor, desprezo e desmembramentos
    
Antes de cortarem meus membros...

Boxing Helena é um filme que divide muitas opiniões, em geral, as pessoas que assistem geralmente amam ou odeiam. Eu, particularmente, achei muito bom. É um filme profundo com muitas coisas para se analisar, ótimos diálogos e uma direção bacana, não perfeita, mas que cumpre muito bem o papel.
 Se você é do grupinho que não gostou do filme, respeitamos sua opinião e você pode comentar falando do que não gostou. Pela maioria dos comentarios que vi sobre o ele, um dos maiores problemas está no fim e concordo que é broxante, mas acho que é possível entender o “motivo” da diretora.

If i cut off your arms and cut off your legs, would you still love me, anyway?

“Encaixotando Helena” conta a história de Nicholas, um médico bem sucedido que cresceu sem amor familiar e acreditando que poderia conquistar tudo com dinheiro e persistencia.
            Nick tem a vida que muitos sonham: um ótimo emprego, uma mansão, uma namorada que o ama e faz de tudo por ele, um amplo círculo de amizades e coisas mais. Porem, ainda lhe falta algo: Helena, uma mulher com quem Nick saiu certo dia e se apaixonou doentiamente. Apesar de ser rejeitado e humilhado por ela, ele faz de tudo para reconquistá-la, até amputar seus membros para que ela dependa completamente dele.

Filha de Lynch, Lynchinha é!

Só de escutar o nome Lynch já podemos nos preparar porque algo fora do comum está por vir e “Encaixotando Helena”, mesmo não sendo um filme do David Lynch, não decepciona. Jennifer Chambers Lynch, filha de David Lynch, parece seguir os passos do pai no quesito de impressionar o telespectador, mesmo não sendo tão surrealista quanto ao pai.
“Helena” foge um pouco do padrão de resenhas do blog, pois o filme não é totalmente trash: temos uma boa direção, uma trilha sonora satisfatoria que complementam muito bem as cenas (mesmo com algumas musicas a lá cineband prive), dialogos fantasticos e um roteiro muito bem construido, apesar de estranho. Porem, não podiamos deixar de fora um filme onde um homem amputa os membros da amada para conseguir seu amor.
Apesar de estranho, o filme aborda de uma maneira única onde pode chegar à obsessão de um homem. Jennifer pode não ser tão genial quanto seu pai, mas, pelo menos em “Helena”, conseguiu tratar a questão do amor doentio e suas consequencias com muita criatividade e profundidade.

Amor ta em falta, dinheiro serve?

Começamos o filme com uma breve apresentação da vida do personagem principal, ainda quando criança, durante uma festa em sua casa. Em apenas 2 minutos, já podemos perceber que Nicholas é uma criança carente de amor familiar devido a ausencia dos pais, uma vez que seu pai é médico e passa o dia trabalhando sem ter tempo para a familia (recompensando a mesma com uma vida de luxo) e uma mãe que se mostra indiferente em relação ao filho e sai com outro(s) homen(s) enquanto goza da boa vida dada pelo marido.
O lema da familia, “A persistência e o trabalho duro, irão te conceder tudo o que quiseres.” parece estar bem presente na vida de Nicholas, já que ele vê essa filosofia em seu pai e parece não ter contato com outros tipos de posses e conquistas que não envolvam dinheiro, mesmo o casamento de seus pais não passa de uma trasação comercial onde não há amor envolvido.
Podemos ver claramente a indiferença da mãe em relação ao filho no dialogo entre dua convidadas da festa:

A: De quem é aquele menino?
B: É o filho da Mary.
A: Curioso. Ela nunca mencionou que tinha filhos.

        Ao viver em um ambiente como esse, Nicholas, cresceu acreditando que poderia ter tendo tudo com seu trabalho, esforço e dinheiro. Até conhecer Helena...

Papai, cresci e agora ?

            Nosso pequeno Nicholas cresceu, seguiu os passos do pai e se tornou um importante cirurgião. Apesar da falta de laços familiares, Nick tem uma boa vida, é respeitado no hospital onde trabalha, mora em uma bela casa que herdou dos pais e tem uma linda namorada.  Mas nem tudo é perfeito e sempre temos problemas, não é mesmo? E pra variar, o problema é do sexo feminino e seu nome é Helena. Mas quem diabos é Helena? Helena nada mais é que uma garota independente que sai com vários homens e faz aquilo que quer, cometendo a besteira de brincar com Nick e (indesejadamente) fazer com que ele caisse em um amor platonico por ela. Bizarro? Sim, mas pode ter certeza que acontece.
Depois de se apaixonar loucamente por uma mulher que não ta nem aí pra ele, Nick começa agir como um “Stalker”, passando a vigiá-la. Com efeito, certo dia, ao ver que a inocente Helena esta com outro acompanhante, Nick fica perturbado e decide tentar reconquista-la de uma vez por todas.

Mãe, a culpa é sua!

            Em algumas cenas vemos a figura materna “assombrando” Nick e podemos notar o complexo de Édipo, conceituado por Freud, lhe atingindo. Para Freud, o homem quando nasce cria um sentimento de amor/desejo com a figura materna e um sentimento de negação com as “forças externas” que limitam o contato da criança com a mãe, em muitos casos a figura do pai, uma vez que a mãe divide atenção entre os dois, gerando uma disputa por atenção.
            No caso do filme, a disputa não está totalmente direcionada ao pai, mas sim aos outros amantes de sua mãe, que Nick parece culpar pela ausencia de sua mãe durante sua vida. Nick cresceu, passou pela puberdade e seu desejo pela sua mãe parece ter ficado mais forte.
 - Mas o que é que tem a ver a Helena e a Mãe piriguete dele? 
Tudo, Nick nutriu um amor pela mãe e transfere isso pra Helena, que tem atitudes parecidas com a de sua mãe, isso explica o porquê de Nick continuar a amar Helena mesmo sendo rejeitado e humilhado pela mesma, e ignora a namorada que faz de tudo por ele. Por mais que Nick já estivesse sofrendo pela indiferença de Helena antes do inicio do filme, esse sentimento contido parece ter se intensificado logo depois da morte de sua mãe.

Helena, Helena, Helena...

            Os metodos convencionais (flores, cartões, convites pra jantar e etc.) parecem não ter funcionado, então, nosso protagonista tem a grande ideia de dar uma festa somente para ter uma desculpa para convidá-la. Ela vai a festa e vemos claramente a indiferença de Helena e a Submissão de Nick, que não consegue nem disfarçar na presença de sua namorada.
            Durante a festa Nick é humilhado, ignorado, trocado e todas as outras coisas ruins que uma mulher pode fazer e que os cantores sertanejos adoram cantar sobre. Contudo, isso ainda não foi o suficiente para Nick esquecer Helena. No dia seguinte ele consegue fazer com que Helena volte a sua casa. Após ela se irritar com suas atitudes, ela pega suas coisas e vai embora, porem logo que ela sai da casa o inevitavel acontece...      Helena é atropelada e o carro passa por cima de suas pernas.

Desmembrar, as mina pira.

            Nick, sem ter certeza do que fazer, leva Helena para casa, amputa suas duas pernas e passa a cuidar dela lá mesmo. Com isso, Nick se ausenta do trabalho e de seu circulo de amizades para passar o dia cuidando da sua amada, porem mesmo fazendo tudo por ela, Helena continua com seu comportamento hostil em relação a Nicholas.
            Cada vez mais confuso, Nicholas, inspirado pela estátua da Vênus de Milo (quem mantem uma beleza singular mesmo sem os membros), decide amputar os braços de Helena para que ela se torne ainda mais dependente dele e com isso possa nascer um sentimento em relação a ele. A obsessão do rapaz é tanta, que na primeira cena onde ela aparece amputada dos braços Helena está em uma especie de altar, dando a entender que ela é superior a ele enaltecendo a relação de subordinação dele em relação a ela.

Regulo a mixaria, perdeu!

Com Helena totalmente dependente dele, ele consegue aquilo que ele queria: entrar em uma relação de igualdade com ela, uma vez que, depois que ela a conheceu ele passou a ser dependente da atenção dela, agora ela passa a ser dependente dele, criando uma relação de igualdade (pelo menos em sua mente). Esse equilibrio faz com que ele passe a se ver como homem e comece a se comportar como tal, visto que, apesar de ainda desejar Helena, ela deixa de vê-la como um ser superior independente. Isso faz com que os papeis comecem a se inverter, já que Nick começa a se ver como homem e Helena continua dependente.
           Tudo que Nick precisava era escutar Eu te amo!

Mas que po*** de final de M*rd* foi esse?

            Então amiguinhos, acho que foi um fim de decepcionou muita gente, quase todos os comentarios que li acabaram falando mal do final. Porem, na minha humilde opnião que não vale nada, creio que esse fim mostra que apesar de tudo que aconteceu, Nicholas continua sendo um covarde, que tem medo de fazer coisas que fujam das suas atitudes politicamente corretas. Assim, por mais que Helena fosse tudo o que Nick desejasse, ele se sente incapaz de fazer algo que vá além dos limites e que possa machucá-la.

Compensa perder um bracinho pra ver esse filme aê?

Claro, (a Sherilyn Fenn, que interpreta Helena, é lindíssima) o Café com Tripas acredita que qualquer filme que foge dos padrões merece ser visto. Apesar da historia ser bizarra, ela progride de forma natural sem chocar aquele que assiste, e ajuda a caracterizar muito bem questões como amor, posse, traumas, obsessão, complexo de Édipo, pais ausentes e etc.
O filme não é perfeito e nem merecedor do oscar de melhor filme, porem ele cumpre muito bem o que ele se propõe a fazer, que é contar uma historia sobre amor possessivo de uma maneira peculiar.


 Trailer:




15 comentários:

  1. Boa crítica. Concordo com o que você falou sobre o final, só não concordo sobre o que você falou da "covardia" de Nick. Não considero uma pessoa covarde por não ter feito aquilo com ela hahahah. A relação que puseram entre Helena e a mãe de Nick ficou muito boa, e gostei da sua visão sobre esse "complexo de Édipo". Pra mim o maior pecado do filme foi que se preocuparam mais em fazer um filme erótico do que demonstrar o horror da situação, como falaram no Boca do inferno sobre as cenas perto do final: "É como se você tivesse assistindo um filme de suspense, mudasse o canal e parasse em 9 1/2 Semanas de Amor". Pra mim faltou no filme a tensão mesmo, o horror da situação que não foi bem passado, além de Sherilyn Fenn muitas vezes não ter convencido sobre o sofrimento da personagem. Na minha opinião, o fime teria sido um grande sucesso se não houvessem pecado nesses e em outros pontos. Mas ainda assim vale a pena.

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  2. Oi Jéssica, brigado pelo comentário ;D
    Quando disse sobre Nick ser covarde não me referia exatamente a desmembrar Helena, mas sim a sua vida como um todo. Ele parece ter aceitado tudo que lhe foi imposto na vida e nunca tentou mudar isso. Será que ele realmente queria ser um cirurgião ou ele apenas fez isso por imposição dos pais?
    Todo o caso com Helena seria uma quebra das suas regras e da sua vida "conservadora", mas no fundo é apenas um sonho, ele continua o mesmo e não é capaz de fazer nada pra fugir daquilo.

    Sim, apesar dos problemas eu gosto do filme. Podiam ter explorado melhor o sofrimento da personagem. As partes "eróticas" acho que são importantes no filme mas não do modo que foram feitas. É um filme que tem muita coisa legal por trás do roteiro, só faltou uma execução melhor

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  3. É Victor, agora entendi melhor o que você quis dizer. Você agora falou TUDO sobre a covardia de nick.

    Realmente acho que o filme poderia ser um grande sucesso, e sinceramente, concordo que as cenas de sexo são importantes nele, mas a diretora perdeu o foco. O filme todo tem uma áurea Cine Band Prive (não que eu assistisse hahaha, mas nem precisa), e também, apesar do filme ser muito bom e te deixar na curiosidade de saber o final, ele não "flui". Falei no primeiro comentário sobre o maior pecado do filme, mas acho que o que citei fica em segundo lugar. O que faz muita falta mesmo é o acompanhamento da "evolução" do sofrimento de Helena (como temos em A Pele que Habito), que além dela não ter convencido sobre o mesmo, acontece tudo muito rápido.

    Mas enfim, no final das contas o filme não é sobre Helena, é sobre Nick, temos tudo a partir da perspectiva dele, que vale salientar: Ele sim foi muito bem interpretado.
    E mesmo eu sendo meio "anti-remakes", acho que não seria exagero dizer que um remake de "Helena" TALVEZ fosse bom. Ou seria?

    Parabéns pela crítica, acho que vou é escrever uma, porque meus comentários estão quase dando mini posts hahaha.

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  4. Sim, o filme acaba se passando todo dentro da cabeça dele, então tudo acaba sendo, de certo modo, reflexo da sua própria vida.

    Sim, faltou um desenvolvimento melhor em relação ao sofrimento. Também sou um pouco anti-remakes, talvez fosse interessante se não ficasse nas mão de grandes estúdios e transformassem ele em um blockbuster hahaha

    ;D

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  5. Bem, eu nunca havia visto falar deste filme até ler um CreepyPasta sobre uma tal boneca/humana sexual lolita - mesmo de eu ter lá minhas duvidas se é real ou não, apesar de humanos podem ser extremamente crueis, enfim este Creepy é medonho - e alguém comentou que lembrava este filme e minha curiosidade me fez buscar uma resenha. Definitivamente vou ter que assisti-lo, vai ser difícil acha-lo ou na web ou em uma locadora, por ser um pouco antigo e essas locadoras vagabundas dão preferencia a filmes mais recente e mais famosos - o que é uma merda, já que os filmes atuais na maioria, me decepciona :/ - Acho que esse tal Nick não é um pisicopata - mas é maluco, com certeza - é apenas um cara que de certa forma, era frustado por pensar que com o dinheiro conseguiria tudo que quisesse ai chega a Helena e o decepciona e não faz o que ele deseja - claramente, isso seria impossível nos dias de hoje já que as mulheres estão bem mais interesseiras e que "amaria" o sendo medico e rico - e ele coloca na cabeça que precisa dela de um jeito ou de outro e fez até isso pelo amor dela, aposto que as fãzinhas de crepúsculo acharia isso fofo se o cara fosse bonitão ¬¬'
    Enfim, já virou um texto isso aqui. Mas resumindo: gostei da resenha, do blog e vou acompalhar lo e irei provavelmente assistir este filme.

    - Ana.

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    1. Muito obrigado, Ana. Acho que lembro desse negócio da boneca humana e também me pareceu meio irreal e meio assustadoramente possível.

      Quanto ao filme, procure pelo pirate bay que você acha.

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    2. Eu achei o filme há algum tempo no YouTube, legendado em espanhol

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  6. gostei da critica, vi sobre a historia das bonecas exuais humanas e me lembrei desse filme ( que assisti no cinema a muito tempo....kk), acho que é um dos poucos filmes que aborda obsessão x amor x posse x loucura x etc...outro filme parecido pra quem tiver interesse, é sobre um louco que mantém uma mulher num cômodo durante anos, ops acho que isso já virou realidade.

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    1. É, tem um monte desses filmes reais por aí...

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  7. Uma amiga me contou a história desse filme, mais não contou o final...fiquei louca pra assistir, ela reuniu um grupo de 10 amigos pra asistir esse filme....nossa está louca pra ver o final...quando o filme acabou eu quase matei minha amiga kkkk ela me deixou um meis esperando...pra no final descobri que era tudo um sonho kkkkk mais é gostoso assistir pena que não se acha fácil...Eu recomendo

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  8. Eu não entendi direito o final, esses colocam braços e mãos nela novamente no hospital?

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    1. O final dá a entender que tudo não passou de um sonho. E toda a historia se passou na cabeça do protagonista.

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    2. OU foi tudo um sonho, OU (o que me parece mais coerente com que vi na tela) os braços e pernas dela foram de fato reimplantados no hospital - o que já é meio forçação demais né

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  9. Olá a todos!
    Conversando sobre pessoas manipuladoras ao extremo, lembrei imediatamente desse filme que assisti há muitos anos.
    Não é raro encontrarmos "Helenas" por aí. Mulheres, homens, jovens... que tem sua estrutura de personalidade alterada a ponto de não reconhecerem mais sua identidade e identificar suas reais escolhas. O final é coerente, na minha opinião, com essa ideia da manipulação castradora que eventualmente emerge à consciência e, muitas vezes, não chega a emergir. O indivíduo passa o resto da vida enxergando a realidade "pintada" com as cores definidas pelo seu manipulador. Acho o filme excelente e corajoso.
    Gostaria de comprar esse filme legendado mas não encontro.
    Obrigada pela resenha!

    Elizabeth Schau

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