sexta-feira, 1 de junho de 2012

Resenha: A geladeira diabólica (The refrigerator)

Você tem o sonho de sair da casa de seus pais? Quer conseguir aquele emprego que faz voce acordar feliz todos os dias? Quer casar e ter filhos com aquela linda cocotinha mulher? Quer viver o seu próprio american dream? Sim?
Tudo bem. Entendo. Porém, não é só voce que quer isso.
Steve e Eileen Batemen também queriam, porém eles pediram um ”Sonho americano” e ganharam uma Geladeira Diabólica...


Título original: The refrigerator
Lançamento: 1991 (EUA)
Duração: 86 minutos
Direção: Nicholas Jacobs
 






A geladeira diabólica
Um sonho refrigerado

“The Refrigerator” é uma daquelas idéias que parecem terríveis na teoria, mas que na prática produzem um resultado bem interessante (mentira, o resultado também é terrivel, só que de uma maneira positiva).
O filme pode ser apenas mais um trash, e provavelmente foi feito somente com esse propósito, entretanto, passa bem a idéia do American Way of Life. Como vocês provavelmente já sabem, nós do Café não assim somos muito normais, então podemos ver coisas que as pessoas não veem, pode ser que não exista nenhuma relação, mas o blog é nosso e a critica é nossa, então...
Brincadeira, caros leitores, se voces acham que viajei e que não existe p*rr# nenhuma de American Way no filme pode ir la nos comentarios e falar o que quiser.

Abrindo a geladeira para pensar


Um jovel casal - Steve e Eileen Batemen - sai da casa dos pais e se muda para Nova York em busca de seus sonhos. Ela quer ser atriz da Broadway e ele deseja crescer em uma grande empresa, entretanto, o aluguel estava muito barato para ser verdade, existe uma presença maligna no predio: uma GELADEIRA.

Cidade nova, emprego novo, geladeira velha

Um casal de foras da lei que estão mais loucos que o batman chegam no apartamento que futuramente será alugado pelos protagonistas. Após adentrar ao apartamento e dar uma rapidinha, o casal é comido (?) pela grande estrela do filme: A Geladeira.
Sendo assim introduzidos ao filme, somos levados a Ohio onde Steve está pedindo demissão do seu emprego, já que recebeu um oportunidade melhor em NY assim como Eileen que larga seu emprego de professora pra seguir o sonho de sua vida: ser atriz.
Mesmo com o ciumes e preocupação da mãe e pequenas visões de Eileen, ambos entram no carro e gritam liberdade enquanto seguem para a nova vida... Porém, logo ao chegar no apartamento, já começam a perceber que o sonho é muito diferente da realidade, mas por conseguirem um aluguel que é metade do que planejavam pagar e por levarem uma geladeira de brinde, acabam aceitando pois sabem que o futuro é promissor e tudo vai melhorar. Contudo, no dia da mudança, uma misteriosa mulher dá o aviso: “Eileen, não se mude pra cá.”

American Nightmare

O filme brinca com o “American Dream” e contrapõe a esperança de alcançar os sonhos com a realidade de muitos. O casal principal (principalmente o Steve) mostra bem a situação em que as pessoas se sujeitam a sair de uma zona de conforto pra buscar sempre mais, mesmo que tenham que se submeter a posições indesejadas (e em muitos casos, não tendo certeza se conseguirão atingir o objetivo almejado).
Essa esperança do “American dream” pode ser percebida em diversos pontos, começando pelos créditos logo depois da cena inicial, em que se  mostram desenhos (dos anos 40 +ou-, se não me engano) de mulheres, donas de casa, felizes com suas geladeiras. Nesse período o próprio cinema fazia muita propaganda similar, por exemplo: foco em eletrodomesticos, cenários e diálogos que destacassem objetos que eram desejos de consumo das donas de casa da época. “Geladeira Diabolica” brinca um pouco com isso, logo que o casal entra no apartamento um close é feito na geladeira, ao mesmo tempo em que o casal se aproxima; podemos comparar esse close com o foco em camera lenta que é dado nas gostosonas de filmes de ação que chegam para alegrar a vida do herói e espectadores.
No filme, a geladeira é um portal para o inferno, porém podemos interpretá-la como um portal para o “American Way of Life”. Ela se mostra de uma maneira dualista, na qual tanto coisas boas podem ocorrem quanto ruins (principalmente). O eletrodoméstico pode tanto saciar seus desejos quanto cobrar o preço deles...
A primeira vez que Steve abre a geladeira ele encontra ali seu queijo favorito, mostrando o que o modo de vista capitalista é sedutor, podendo te dar aquilo que você deseja na hora que quiser, entretando, aos poucos consequencias começam a ser percebidas, como, por exemplo, a necessidade de trabalho. Sai-se para a labuta com medo de se atrasar, pensando em conseguir cada vez mais dinheiro e se mostrar prestativo nas tarefas, tendo preocupações com  tudo aquilo que puder lhe trazer lucro e esquecendo-se do resto, sua felicidade.
Quanto mais tempo Steve passa próximo a geladeira, mais ele começa a ser influenciado e aos poucos enlouquecer. Num momento ele acorda no meio da noite, abre a geladeira e detrás de um produto qualquer saem seu chefe e sua esposa, dizendo que ele está fazendo muito bem as coisas e que logo será um homem de sucesso, levando-nos a pensar sobre a questão da terra da oportunidade e do modo de vida capitalista, que nos ensina que todos nós iremos crescer e ter sucesso, mas que, na verdade, sabemos que nem sempre é assim.

*

Outra questão que podemos analisar é o momento em que Steve, novamente, acorda no meio da noite com vontade de comer Waffles. Sabe quando misteriosamente sentimos a necessidade de comprar algo mesmo sabendo que não precisamos? Então...
Também vemos sugestivamente o “No pain no gain” no filme, em certo momento, Eileen abre o freezer para retirar o pote de sorvete, porém o frio faz com que seu dedo grude no pote e ao tentar desgrudar ela acaba se machucando.
Além desses pontos citados, há também muitas coisas que enfatizam a cultura americana, como, por exemplo, o hábito de fazer um churrasco de hamburguer em casa e chamar todos os amigos e vizinhos.

A terra das oportunidades... Para alguns.


O filme critica essa idéia de que Nova York é um lugar onde seus sonhos se realizam. O personagem Juan, o encanador, era artista (dançarino de flamenco) na Bolivia, entretanto, ao se mudar para os EUA teve que aceitar a vida de encanador para que pudesse sobreviver. A terra das oportunidades se limita a poucos, e quando se é latino as coisas ficam ainda mais dificeis, tanto que a primeira vítima do “American Way”... digo, da geladeira, é um latino amigo de Juan que estava tentando concertá-la.

Ajustando a temperatura

Não digo que a parte técnica do filme seja ótima, mas achei ela muito interessante. O diretor soube usar a camera muito bem em algumas cenas. Aquelas que mostram os “delírios” de Eileen - com a câmera em movimento - passam bem a ideia de instabilidade e insegurança da personagem, além de muitos closes, como dito anteriormente.
Assim como a fotografia, a trilha sonora também é aquele mais do mesmo, porém com um toque de criatividade. Em mais ou menos duas partes do filme, a música do filme fala sobre os personagens do filme, como se fosse uma narração, algo que fica diferente e divertido.
            Ademais, os momentos em que a geladeira “ataca” são divertidissimos, trash da mais pura qualidade.

Devo entrar no portal do inferno, vulgo geladeira?

            Sim, “The Refrigerator” é um filme extremamente divertido e com muitas questões subliminares (se foram propositais eu não sei). Apesar de não ter muitas mortes pra um filme trash, ele cumpre muito bem seu papel, com uma boa dose de sangue e bizarrices.

Seus assaltos noturnos a geladeira nunca mais serão os mesmos...

Trailer:


2 comentários:

  1. Hahaha Adorei a idéia, quero ver esse filme...

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  2. O, Victor que assistiu, mas eu gostei da resenha. Parece ser bem legal, né? Me lembrou um pouco do "Massacre do microondas".

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